Governo abre consulta sobre expansão da recarga de veículos elétricos
Ministério de Minas e Energia receberá contribuições até 22 de novembro; planejamento da infraestrutura pode influenciar oficinas, postos, frotas, assistência veicular e consumidores.
O Ministério de Minas e Energia abriu, em 23 de outubro, a Consulta Pública nº 237/2026 para elaborar um diagnóstico nacional sobre a infraestrutura de recarga de veículos elétricos e sua integração às redes de distribuição de energia.
A consulta foi atualizada pelo ministério em 26 de outubro e permanecerá aberta até 22 de novembro. Podem participar cidadãos, empresas, entidades representativas, universidades e agentes públicos, mediante o envio de informações, estudos e experiências práticas. Ministério de Minas e Energia
O trabalho está dividido em seis eixos:
- acesso à recarga;
- conexão dos carregadores às redes elétricas;
- planejamento da distribuição e gestão da demanda;
- dados e projeções;
- barreiras legais e regulatórias;
- cargas concentradas, como frotas de ônibus, veículos logísticos, aplicativos e recarga rápida em rodovias.
A iniciativa ainda não estabelece novas obrigações para oficinas, postos, condomínios ou proprietários de veículos. Seu objetivo imediato é reunir informações para orientar o planejamento e eventuais medidas regulatórias futuras.
Crescimento da frota pressiona a infraestrutura
Entre janeiro e setembro de 2026, o Brasil registrou 381.609 emplacamentos de veículos leves eletrificados, incluindo diferentes modalidades de híbridos e modelos totalmente elétricos. Em setembro, esses veículos alcançaram 19,8% das vendas de leves.
O país possuía 29.866 pontos públicos e semipúblicos de recarga, mas com distribuição regional desigual. O Estado de São Paulo concentrava 26,3% da rede, enquanto os sete estados da região Norte reuniam apenas 3,4%. C-Level
A concentração dos carregamentos em condomínios, garagens empresariais, centros logísticos e corredores rodoviários também pode exigir reforços nas redes locais. O governo estima que o consumo de energia relacionado à eletromobilidade poderá alcançar aproximadamente 15 TWh em 2036.
Oportunidades e cuidados para as oficinas
A ampliação da infraestrutura tende a facilitar a circulação dos veículos elétricos e, gradualmente, aumentar sua presença no mercado independente de reparação. Isso não significa que todas as oficinas precisem investir imediatamente em serviços de alta tensão.
Uma estratégia de adaptação pode começar pela definição dos níveis de atendimento. Serviços convencionais, como pneus, suspensão, direção, freios, alinhamento e determinados reparos de carroceria, continuarão existindo, mas deverão considerar os procedimentos de segurança específicos de cada modelo.
Intervenções em baterias de tração, inversores, cabos de alta tensão e sistemas energizados exigem capacitação, equipamentos adequados, isolamento da área e acesso às informações técnicas do fabricante.
Oficinas interessadas em instalar carregadores para uso próprio ou atendimento aos clientes também devem avaliar capacidade elétrica, demanda contratada, proteção da instalação, medição, manutenção e custo da energia. A ANEEL informa que a exploração comercial da recarga é permitida, com preços livremente negociados, observadas as regras de conexão e distribuição. gov.br
Postos podem diversificar serviços
Para os postos, a expansão da recarga representa uma possibilidade de diversificação, mas o modelo de negócio é diferente do abastecimento convencional.
Além do investimento no equipamento, devem ser considerados disponibilidade de potência, obras de conexão, tempo de permanência dos veículos, ocupação das vagas, meios de pagamento, manutenção dos carregadores e serviços oferecidos durante a espera.
A demanda regional precisa ser analisada antes do investimento. Um carregador rápido instalado em corredor rodoviário possui perfil operacional diferente daquele utilizado em shopping, estacionamento, oficina ou centro logístico.
Frotas e consumidores
Frotas de aplicativos, entregas, ônibus e operações logísticas estão entre os grupos mencionados expressamente na consulta. Nessas atividades, vários veículos carregando simultaneamente podem criar picos de demanda e exigir planejamento da instalação.
A avaliação econômica deve considerar:
- preço e autonomia do veículo;
- disponibilidade de carregadores nas rotas;
- tempo de recarga e eventual imobilização;
- custo da energia e demanda contratada;
- manutenção e vida útil da bateria;
- capacidade de atendimento da rede reparadora;
- valor residual e condições de proteção do veículo.
Para o consumidor, a expansão da rede pode reduzir a insegurança relacionada à autonomia, mas quantidade de pontos não é o único indicador. Potência, disponibilidade, confiabilidade, compatibilidade dos conectores e transparência dos preços também influenciam a experiência de uso.
Proteção veicular e assistência
Para associações de proteção veicular e administradoras, o crescimento dos eletrificados reforça a necessidade de redes preparadas para vistoria, remoção e reparação.
Após uma colisão, a avaliação deve considerar não apenas os danos visíveis, mas também bateria, cabos, sistema de alta tensão e procedimentos definidos pelo fabricante. A remoção precisa observar o modelo do veículo e as orientações sobre tração, içamento e armazenamento.
A consulta pública não modifica contratos nem cria coberturas automáticas. Cada associação deverá definir com clareza os serviços oferecidos, os critérios de assistência e os procedimentos aplicáveis a veículos híbridos e elétricos.
Concorrência com o GNV
A medida não altera tarifas de gás, regras do mercado livre, conversões ou preços do GNV. Eletrificação e gás veicular continuarão competindo e coexistindo conforme o perfil de utilização.
Para frotas de alta quilometragem, a escolha deve comparar custo total, autonomia, tempo de abastecimento ou recarga, disponibilidade regional da infraestrutura e valor do investimento inicial.
Oficinas convertedoras, postos de GNV e demais empresas da cadeia precisam acompanhar a eletrificação, mas as decisões devem considerar a realidade de cada região. O crescimento de uma tecnologia não elimina imediatamente a demanda pelas demais.
A consulta representa uma oportunidade para que oficinas, postos, frotistas e entidades da cadeia automotiva apresentem experiências e dificuldades antes da formulação de novas políticas para a infraestrutura de recarga.