Feira de empregabilidade aproxima oficinas e profissionais diante da transformação tecnológica
Evento marcado para 3 de outubro reunirá montadoras, empresas, estudantes e reparadores para discutir carreiras, eletrificação e as competências mais demandadas pelo setor automotivo.
A formação e a contratação de profissionais ganham espaço na agenda da reparação automotiva. No próximo sábado, 3 de outubro, a Escola SENAI Ipiranga Automobilística realizará uma Feira de Empregabilidade voltada à aproximação entre candidatos, oficinas, empresas e instituições de ensino.
Promovido em parceria com o Sindirepa e empresas do setor, o evento terá espaços de relacionamento, apresentação de oportunidades de formação e palestras sobre tendências tecnológicas. Entre as empresas anunciadas estão Ford, BMW, GWM, Foton, Porsche, Jetour e CAOA Chery. Feira de Empregabilidade
A programação ocorrerá das 9h às 15h, em São Paulo, e abordará o futuro das profissões na reparação, eletrificação veicular, novas tecnologias e competências demandadas pelo mercado. O público inclui jovens, estudantes, profissionais em busca de colocação ou recolocação, oficinas e empresas da cadeia automotiva.
Formação precisa acompanhar a oficina multitecnologia
A aproximação entre empresas e instituições de ensino torna-se especialmente importante diante da diversidade tecnológica da frota. Durante muitos anos, uma mesma oficina poderá receber veículos flex, diesel, convertidos para GNV, híbridos e elétricos, além de modelos com sensores, câmeras, radares e sistemas conectados.
A mecânica convencional continua necessária, mas passa a dividir espaço com eletrônica, diagnóstico digital, interpretação de dados, software e procedimentos de segurança. O profissional não precisa dominar imediatamente todas as tecnologias, porém deve reconhecer os limites da própria habilitação e saber quando encaminhar uma operação especializada.
Nos veículos híbridos e elétricos, intervenções nos sistemas de alta tensão exigem formação, ferramentas, equipamentos de proteção e procedimentos próprios. Em automóveis com sistemas avançados de assistência à condução, reparos de suspensão, direção, para-brisa ou carroceria podem demandar verificação e recalibração de sensores.
No GNV, a qualificação deve contemplar instalação regular, identificação de vazamentos, funcionamento dos componentes, diagnóstico do motor e cumprimento das inspeções aplicáveis. A experiência com motores convencionais, isoladamente, não substitui a capacitação específica para trabalhar com gás sob pressão.
Demanda por formação ultrapassa o setor automotivo
O Mapa do Trabalho Industrial 2025–2027, elaborado pelo Observatório Nacional da Indústria, estima que o Brasil precisará qualificar aproximadamente 14 milhões de trabalhadores em ocupações industriais e relacionadas à indústria até 2027.
Dentro desse total, a categoria ampla de manutenção e reparação apresenta demanda estimada de 179 mil profissionais em formação inicial. O grupo abrange diferentes atividades industriais, portanto o número não deve ser interpretado como uma projeção exclusiva para oficinas automotivas. Ainda assim, demonstra a dimensão do desafio de renovação e preparação da mão de obra técnica. Portal da Indústria
Como as oficinas podem estruturar a contratação
A oficina pode aproveitar o movimento de aproximação com escolas e estudantes para organizar sua gestão de pessoas. O primeiro passo é definir com clareza qual competência está faltando: diagnóstico eletrônico, mecânica geral, elétrica, atendimento, orçamento, funilaria, pintura, gestão de peças ou conhecimento de determinada tecnologia.
Um processo de contratação pode observar:
- Formação e experiência compatíveis com a função;
- Capacidade de seguir procedimentos e consultar informações técnicas;
- Conhecimentos de segurança e uso de equipamentos de proteção;
- Organização da ordem de serviço e registro do diagnóstico;
- Comunicação clara com clientes e demais integrantes da equipe;
- Disposição para atualização e aprendizagem contínua;
- Responsabilidade no uso de ferramentas, dados e equipamentos.
Avaliações práticas precisam ser realizadas com segurança, critérios previamente definidos e respeito à legislação trabalhista. Também é recomendável planejar a integração do contratado, indicando responsabilidades, canais de supervisão e limites de atuação durante o período inicial.
Reflexos para a proteção veicular
A qualificação também influencia o relacionamento entre oficinas e associações de proteção veicular. Reparos de colisão em veículos recentes podem envolver estrutura, componentes eletrônicos, sistemas de retenção, sensores e calibrações que não aparecem integralmente no orçamento inicial.
Uma rede reparadora preparada tende a produzir diagnósticos mais completos, registrar serviços complementares e comunicar com maior precisão a necessidade de peças, procedimentos e prazos. Isso pode reduzir retrabalho e divergências entre oficina, associação, administradora e participante.
Na seleção das oficinas da rede, além de preços e localização, devem ser considerados capacidade técnica, instalações, rastreabilidade das peças, documentação dos serviços e experiência com as tecnologias atendidas.
A Feira de Empregabilidade evidencia que a transformação da reparação não depende somente da compra de equipamentos. Oficinas, fornecedores e redes de proteção veicular também precisarão atrair profissionais, desenvolver competências e criar condições para que o conhecimento acompanhe a evolução da frota.