Sindirepa critica acordos de seguradoras que podem prejudicar oficinas e estimular mercado informal
Entidade vê com preocupação indenizações feitas diretamente aos proprietários sem acompanhamento da reparação e alerta para riscos de concorrência desleal e utilização de peças sem procedência
O Sindirepa vê com grande preocupação a prática adotada por seguradoras de realizar acordos financeiros diretamente com proprietários de veículos sinistrados, sem que haja posteriormente um acompanhamento efetivo sobre onde e em quais condições o veículo será reparado.
Na avaliação da entidade, esse modelo pode prejudicar diretamente as oficinas legalmente estabelecidas, que investem em profissionais qualificados, equipamentos, tecnologia, segurança, cumprimento das obrigações trabalhistas e tributárias e utilização de peças de procedência comprovada.
Para o presidente do Sindirepa, Celso Mattos, é necessário avaliar as consequências dessa prática para toda a cadeia automotiva.
“O Sindirepa não enxerga com bons olhos esse movimento. Quando a seguradora simplesmente realiza um acordo financeiro e deixa de acompanhar a reparação, cria-se um ambiente em que muitas vezes o principal critério passa a ser o menor preço. Isso pode favorecer a informalidade e prejudicar justamente as oficinas que trabalham corretamente. Não podemos esquecer que tal medida acarreta em um desemprego, queda na arrecadação de impostos e informalidade.”
A preocupação torna-se ainda maior diante do risco de utilização de peças sem nota fiscal, sem rastreabilidade ou de origem ilícita, inclusive provenientes de veículos roubados ou furtados.
O Sindirepa ressalta que não se trata de condenar a utilização de peças usadas legalizadas e rastreáveis, mas de combater componentes cuja origem não possa ser comprovada.
“Uma oficina séria, que compra peças regularmente, emite nota fiscal, paga impostos, mantém funcionários registrados e investe em qualificação, não consegue competir em igualdade de condições com quem utiliza componentes de procedência desconhecida. Isso é concorrência desleal e enfraquece todo o setor formal”, afirma Mattos.
O impacto também alcança a indústria de autopeças e os distribuidores, que investem na produção e comercialização regular de componentes, gerando empregos, renda e arrecadação.
Para o Sindirepa, a discussão precisa envolver seguradoras, oficinas, indústria de autopeças, distribuidores, consumidores e poder público.
“Não podemos permitir que uma solução aparentemente mais econômica para um sinistro produza um problema muito maior para toda a sociedade. Se queremos combater o roubo e o furto de veículos, precisamos também combater o mercado que absorve peças de origem ilícita.”
O Sindirepa defende a abertura de um diálogo com o mercado segurador para estabelecer mecanismos que valorizem oficinas formalizadas, qualidade dos reparos, emissão de documentos fiscais e rastreabilidade das peças utilizadas.
“As seguradoras também fazem parte dessa cadeia e precisam avaliar os efeitos de suas decisões. Eficiência financeira não pode significar transferência de riscos para as oficinas sérias, para o consumidor e para a sociedade”, conclui Celso Mattos.
O Sindirepa continuará defendendo as empresas que trabalham dentro da legalidade e cobrando condições justas de concorrência para a indústria da reparação automotiva.
Sindirepa. Representar é Agir.