Decisão do Governo do Estado escancara falta de diálogo e despreparo na condução da política de gás
O Sindirepa critica de forma contundente a decisão do Governo do Estado do Rio de Janeiro de avançar na relicitação das concessões de gás, estimando uma indenização de aproximadamente R$ 7 bilhões à Naturgy, conforme divulgado pela imprensa especializada.
A medida é grave, mal conduzida e revela uma completa inversão de prioridades. Ao longo dos últimos anos, a Naturgy sempre se mostrou aberta ao diálogo, disposta a discutir alternativas, revisões contratuais e caminhos para a modernização da regulação do setor. Ainda assim, o governo optou por ignorar o debate e seguir por uma decisão unilateral, sem transparência e sem construção institucional.
Para o Sindirepa, essa postura expõe de forma inequívoca o despreparo do secretário Nicola para tratar de um tema estratégico para o desenvolvimento econômico do estado. O gás natural é um insumo essencial para a indústria, o comércio e os serviços, impactando diretamente milhares de empresas e empregos. Tratar o assunto com improviso e viés político, em vez de técnico, é um erro que o Rio de Janeiro não pode continuar cometendo.
“Quando uma concessionária se coloca aberta ao diálogo e o governo escolhe o confronto e a imposição, fica claro que não há preparo para governar um tema tão complexo. Estamos falando de bilhões de reais, de segurança jurídica e da competitividade do estado. O Rio não pode ser refém de decisões mal planejadas e sem diálogo”, afirma Celso Mattos, presidente do Sindirepa.
A decisão do governo aumenta a insegurança jurídica, afasta investimentos e envia um sinal extremamente negativo ao setor produtivo. Em vez de buscar soluções que fortaleçam o ambiente de negócios, o Estado cria instabilidade e transfere à sociedade o custo de sua incapacidade de negociar e conduzir processos com maturidade institucional.
Vale destacar que o Sindirepa representa o maior consumo de gás natural do Estado, que tal decisão afeta investimentos, empregos e outros 1.700.000 usuários de GNV.
O Sindirepa reforça que não é contra o aprimoramento dos contratos ou da regulação. Pelo contrário: defende mudanças, desde que construídas com responsabilidade, diálogo e critério técnico. O que não se pode aceitar é a condução amadora de um tema estratégico, que compromete o futuro econômico do Rio de Janeiro.
Seguiremos cobrando transparência, preparo e respeito ao setor produtivo. O estado precisa de gestão — não de improviso.